Sem escrever ou publicar aqui há imenso tempo. Verdade. Sem saber o que escrever ou publicar aqui. Maior verdade. Quando me olhas com esses teus olhos azuis sinceros, quando me olhas como uma criança, quão simples tornas o impossível! É exatamente porque me olhas que não consigo ter nada para escrever ou publicar aqui. Nada decente pelo menos. Não tenho ideias que vou fazer?
Já alguma vez viste rosas em novembro? Não? Então nunca procuraste e quem não procura não encontra. Simples. Voltando às rosas, eu vi-as, num jardim de uma casa velha, não eram, obviamente, as rosas de maio, porque não estamos em maio, mas em novembro. Mas eram rosas, com tudo o que é exigido a uma rosa para ser rosa: com pétalas suaves, espinhos e bichos. Depois uma mulher arrancou-as e meteu-as numa jarra e levou-as para casa. Agora vejo-as quando acordo, mas já não parecem rosas em novembro, parecem rosas numa jarra. Sim, é diferente. É como se eu olhasse para ti e para os teus olhos azuis numa caixa, não estaria a olhar verdadeiramente para eles, estava a olhar para uma fração deles ou nem isso talvez. Quando vi as rosas em novembro, deslumbrei-me (porque não há rosas em novembro, mas elas estavam ali), agora tenho-as e parecem rosas de maio: normais, bucólicas e comuns. Vi os teus olhos azuis sinceros num dia e deslumbrei-me (porque olhos como os teus não deviam estar ali naquele dia). Nunca os esperei e isso tornou-os tão simples e fascinantes quanto as rosas em novembro. Não os quero ter, só quero poder vê-los, só quero vê-los a olharem-me como uma criança, quero vê-los a desejar, quero vê-los sempre... Vê-los como são, para tornarem tão simples o impossível.