segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Death

DEATH

Man's fear of death caused by the tought of how hard it is to leave this warm frame and become cold etc. The senses' pleasures are hard to relinquish. The fact that man knows nothing. The unknown is terrible.
All thought useless, for the more we think of death the more we are unable to understand it; useless efforts of all philosophy.
Earth so fair, seems impossible that we shall ever leave it.
In front of the dead how striking is the awful change, especially if they have been joyful; we recognize how easlly beings die.
It has been said that pain is in dying not in death -
Various states of misery man can reach (even a coward when he loses all
fear of death, and may even commit suicide, his is so terrible a state of mind that it is well not to consider it.
Charles Robert Anon ( heterónimo de Fernando Pessoa)


Não poderia ter encontrado algo melhor que explicasse este medo, o medo de partir para o desconhecido e abandonar o nosso estádio transitório.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Rosas em novembro

Sem escrever ou publicar aqui há imenso tempo. Verdade. Sem saber o que escrever ou publicar aqui. Maior verdade. Quando me olhas com esses teus olhos azuis sinceros, quando me olhas como uma criança, quão simples tornas o impossível! É exatamente porque me olhas que não consigo ter nada para escrever ou publicar aqui. Nada decente pelo menos. Não tenho ideias que vou fazer?
Já alguma vez viste rosas em novembro? Não? Então nunca procuraste e quem não procura não encontra. Simples. Voltando às rosas, eu vi-as, num jardim de uma casa velha, não eram, obviamente, as rosas de maio, porque não estamos em maio, mas em novembro. Mas eram rosas, com tudo o que é exigido a uma rosa para ser rosa: com pétalas suaves, espinhos e bichos.  Depois uma mulher arrancou-as e meteu-as numa jarra e levou-as para casa. Agora vejo-as quando acordo, mas já não parecem rosas em novembro, parecem rosas numa jarra. Sim, é diferente. É como se eu olhasse para ti e para os teus olhos azuis numa caixa, não estaria a olhar verdadeiramente para eles, estava a olhar para uma fração deles ou nem isso talvez. Quando vi as rosas em novembro, deslumbrei-me (porque não há rosas em novembro, mas elas estavam ali), agora tenho-as e parecem rosas de maio: normais, bucólicas e comuns. Vi os teus olhos azuis sinceros num dia e deslumbrei-me (porque olhos como os teus não deviam estar ali naquele dia). Nunca os esperei e isso tornou-os tão simples e fascinantes quanto as rosas em novembro. Não os quero ter, só quero poder vê-los, só quero vê-los a olharem-me como uma criança, quero vê-los a desejar, quero vê-los sempre... Vê-los como são, para tornarem tão simples o impossível.


domingo, 2 de outubro de 2011

It's only rock and roll but I like it! :P

Memorial do Convento (excerto pp.73/74)

Senti-me verdadeiramente tentada a publicar este excerto do "Memorial do Convento" de José Saramago, é uma cena absolutamente linda e intrigante! Espero que gostem tanto como eu ;)

"Por uma hora ficaram os dois sentados, sem falar. Apenas uma vez Baltasar se levantou para pôr alguma lenha na fogueira que esmorecia, e uma vez Blimunda espevitou o morrão da candeia que estava comendo a luz, e então, sendo tanta a claridade, pôde Sete-Sóis dizer, Por que foi que perguntaste o meu nome, e Blimunda respondeu, Porque minha mãe o quis saber e queria que eu o soubesse, Como sabes se com ela não pudeste falar, Sei que sei, não sei como sei, não faças perguntas a que não posso responder, faze como fizeste, vieste e não perguntaste porquê, E agora, Se não tens onde viver melhor, fica aqui, Hei-de ir para Mafra, tenho lá família, Mulher, Pais e uma irmã, Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires,Por que queres tu que eu fique, Porque é preciso, Não é razão que me convença, Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar, Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto, Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei, Olhaste-me por dentro, Juro que nunca te olharei por dentro, Juras que não o farás e já o fizeste, Não sabes de que estás a falar, não te olhei por dentro, Se eu ficar, onde durmo, Comigo.
Deitaram-se. Blimunda era virgem. Que idade tens, perguntou Baltasar, e Blimunda respondeu, Dezanove anos, mas já então se tornara muito mais velha. Correu algum sangue sobre a esteira. Com as pontas dos dedos médio e indicador humedecidos nele, Blimunda persignou-se e fez uma cruz no peito de Baltasar, sobre o coração. Estavam ambos nus . Numa rua perto ouviram vozes de desafio, bater de espadas, correrias. Depois o silêncio. Não correu mais sangue.
Quando, de manhã, Baltasar acordou, viu Blimunda deitada ao seu lado, a comer pão, de olhos fechados. Só os abriu, cinzentos àquela hora,depois de ter acabado de comer, e disse, Nunca te olharei por dentro."

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Informação

Publiquei um conto neste blog que começa no post intitulado "Solstício" e termina no post "Na praça da cidade" (incluindo os posts "A casa da praia" e "Caminho"). Peço desculpa por ter publicado o conto fragmentado e em datas diferentes, mas a inspiração só me visita de quando em vez. :)
De qualquer das maneiras podem lê-lo integralmente aqui com alguma paciência.

Obrigada :)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Na praça da cidade

A meio do caminho a chuva parou o que tornou a viagem surpreendentemente mais simples e clara. Não propriamente a viagem, mas o objectivo que a orientava. Sofia dirigia-se ao centro da cidade, onde era mais provável, mas não certo, que encontrasse finalmente Maria ou Rui. Estacionou o carro debaixo de uns carvalhos velhos e, por momentos, quis voltar atrás e regressar noutro dia qualquer, mas respirou fundo e caminhou em direcção à praça.
Sofia entrou na pastelaria, lá dentro cheirava bem, verdadeiramente bem, cheirava a café quente, a croissants, a queques, a pão, a tudo o que se pudesse imaginar! As paredes da pastelaria estavam decoradas com telas de mesas de jantar, cestas de fruta e de horas do chá. E Sofia sentia-se aconchegada como na sua infância, aquela pastelaria fez-lhe recordar os dias de inverno que passava na casa da avó onde cheirava sempre a biscoitos e a café acabado de fazer.
Sofia sentou-se perto da janela e pediu um queque e um chá, pois a fome, tal como o medo, não lhe dava tréguas. Em poucos minutos entrou numa espécie de sono-sonho, não dormia mas não estava acordada. Pensava no passado, no presente, no futuro, pensava principalmente no que diria a Maria ou a Rui se os visse, o que lhes iria perguntar?
- Sofia? Sofia! Oh! Há tanto tempo que não te via! Sofia! Sofia? Sofia!! - gritava alguém que a abanava continuamente.
Bruscamente Sofia voltou à realidade, olhou para a mulher, nem entendeu quem era.  Parecia-lhe apenas uma estranha cuja cara possuía um singular toque de familiaridade.
- Sofia! Está tudo bem?
Finalmente conseguiu perceber quem era: Maria! Já não usava tranças e, também por isso demorara a reconhecê-la. Sofia não esperava encontrá-la tão facilmente!
- Maria? Maria és mesmo tu? Eu não posso crer! - exclamou Sofia enquanto se abraçava à amiga. Não queria mesmo acreditar que, a partir de agora podia ver todas as suas perguntas respondidas!
 - Claro que sim! Sou eu, quem mais poderia ser? Há tanto tempo que não nos víamos, desde...
- Desde do secundário. 
Depois de uma pausa sentaram-se e conversaram sobre as suas vidas depois de se separarem. Maria parecia feliz, contou que vivia na cidade vizinha por questões de trabalho. E que tinha feito Sofia nestes anos?
- Bem, realizei o sonho de ter uma casa na praia e um cão. - declarou Sofia.
- Uma casa na praia, adorava!
- Houve assuntos pendentes que não me deixaram avançar muito mais...
- Quais? Sofia sempre achei que nunca deixasses questões pendentes na tua vida.
- E não deixo, por isso vos procurei. Precisava de te encontrar a ti ou ao Rui. Como está o Rui? Ainda falas com ele?
- Já há algum tempo que não nos contactamos. Da última vez que falamos estávamos ambos no aeroporto, eu ia de férias e ele ia para Londres em trabalho. Parecia feliz. Está casado com uma mulher que ama e tem um bom emprego, que mais pode pedir?
- Paz de espírito talvez...
- Sofia, eu não sei o que se passa, mas espero que me digas, sempre fomos amigas e continuamos a ser. - disse Maria sorrindo.
- Se somos amigos, porque desapareceram simplesmente? Porque foram e nunca mais voltaram? Espero que estejam realmente felizes! Sofia saiu disparada da pastelaria, Maria correu atrás dela sobressaltada e surpreendida. Já na praça, voltaram a sentar-se e Maria questionou a amiga.
- Para que foi essa reacção? Sofia alguma coisa se passa, sabes que podes...
- Porque é que se afastaram, porque é simplesmente desapareceram da minha vida? Vocês eram meus amigos e agora... - murmurou Sofia.
- Sofia! Nós somos teus amigos e continuamos aqui. As pessoas simplesmente avançam. Move on! Não era o que estavas sempre a dizer? Cada um de nós seguiu um caminho diferente, só isso e, infelizmente, por vezes, acabamos por nos afastar, o que não significa abandonar a nossa amizade! Tal coisa nunca poderia acontecer!
Neste momento, Sofia pensava que afinal nem tudo poderia ser verdade. Ainda há minutos julgava que Maria e Rui tinham simplesmente desaparecido da sua vida, sem sequer se interessarem. Agora tudo parecia fazer mais sentido e, tudo o que a havia travado estes anos tinha-se, simplesmente desvanecido como a neblina matinal.
- Sabes também me sentia triste por não nos vermos, mas nunca tive coragem para vos procurar... - confessou Maria.
Sofia sorriu, os seus olhos brilharam como nunca e disse:
-Que tal uma lasanha para o jantar?
Maria riu:
- Acho que ainda tenho o número do Rui, precisamos de um homem, para não comermos demais!
Sorriam enquanto caminhavam em direcção ao carro de Sofia.





domingo, 7 de agosto de 2011

Caminho


Sofia resolveu deitar-se. Passara horas a olhar para a margarida já seca, apesar de se ter sentido extremamente feliz após a ter visto, agora recuava. Não queria despertar esperanças e emoções que tanto lhe custaram a acalentar.
Acordou muito cedo com o som da chuva contra as janelas, levantou-se e percebeu que, talvez hoje não fosse o dia mais indicado para a sua façanha. Desceu, sentou-se na cozinha a beber um copo de leite quente e deixou-se morrer ali na cadeira, ouvindo a chuva a cair ruidosamente. Enquanto essa moleza de inverno a invadia, refletia sobre o que tinha acontecido há uns anos. Talvez sem se aperceber ou talvez propositadamente tinha-se afastado dos seus amigos mais queridos e mais próximos. Começou a distanciar-se lentamente e iniciou uma nova fase da sua vida. Com o passar dos anos Sofia entendia cada vez melhor o mundo, e isso era, provavelmente o mais habitual. Há uns anos atrás julgava que todos eram amigos. Hoje sabia que ninguém se preocupa verdadeiramente, a não ser consigo próprio... Apesar de compreender melhor o intrincado e hipócrita comportamento humano, Sofia nunca entendera porque é que Rui e Maria a tinham deixado. Eram os únicos que restavam, depois de ela ter abandonado tudo. Acordou daquele estado de dormência, continuava a chover copiosamente, subiu, vestiu-se, voltou a descer e olhou para o sofá onde estava a margarida seca, pegou nela e olhou-a como se olha alguém que já não vemos há anos. Nesse momento percebeu que tinha muitas perguntas pendentes, as quais exigiam que resolvesse este enigma o mais celeremente possível. Abriu a porta e o vento forte invadiu a casa, olhou a praia, não era a mesma praia do dia anterior: o mar estava revolto, a espuma branca erguia-se nas rochas e o nevoeiro era espesso e frio como um muro de granito. Resolveu vestir o blusão, o inverno parecia ter chegado, no entanto estávamos ainda em Setembro.
Correu para o carro, depois de algumas tentativas arrancou e pôs-se a caminho, estava preparada para demorar, no entanto encontrou Maria mais rapidamente do que esperava.